Leia o texto de Luis Fernando Verissimo para responder a questão.
O acaso [...]
Darwin mostrou como o acaso é importante na evolução das espécies. Um acidente genético pode determinar que uma linhagem biológica desenvolva características que a ajudem a sobreviver, como no clássico caso das mariposas cinzentas no norte da Inglaterra. Só as mariposas cinzentas sobreviveram à industrialização da região, porque ficavam invisíveis contra a fuligem espalhada por tudo pelas sombrias e satânicas usinas da época e não eram comidas pelos pássaros, como suas irmãs de outra cor. Hoje só existem mariposas cinzentas no norte da Inglaterra. O fortuito comanda as nossas vidas tanto quanto o destino das mariposas, a não ser que você acredite que tudo já esteja escrito nas estrelas. Mesmo quem não aceita Darwin não escapa da história acidental. [...]
O diabo com a teoria do acaso é que a História fica reduzida a um eterno encadeamento de escolhas arbitrárias, acasos nascendo de acasos até o primeiro e definitivo “se” – se o Universo não existisse, nada disto importaria e nós não precisaríamos estar aqui perdendo tempo. [...]
Feliz é a mariposa cinzenta, que só sabe que está viva, não quer nem saber por quê.
(Aquele estranho dia que nunca chega, 2011.)
Preservando-se o sentido, em linhas gerais, e a coesão do penúltimo parágrafo, o travessão pode ser substituído pela seguinte expressão entre vírgulas: