Leia o texto de Veronica Stigger para responder à questão.
Em 1° de dezembro de 1964, na galeria René Block, em Berlim, Joseph Beuys foi enrolado numa espécie de tapete de feltro, onde permaneceu por nove horas. Em cada extremidade do rolo formado pelo corpo do artista, achava-se uma lebre morta; e, em cada canto da galeria, viam-se montículos de gordura. Deitado no chão, Beuys emitia sons imitando gemidos de animais. Os espectadores podiam acompanhar a ação de trás da porta de acesso à sala. Passadas nove horas, o artista foi desenrolado do tapete e a sua ação foi encerrada.
Nesse trabalho de Beuys, chamado Der Chef, a produção artística se manifesta num evento não só oficiado mas principalmente vivido pelo artista e presenciado por um número determinado de espectadores. Estabelece-se uma relação mais explícita não apenas com o espaço circundante (há também aqui um espaço específico e delimitado, mesmo dentro da galeria), mas também com o tempo: o tempo em que Beuys se manteve no chão, enrolado num tapete de feltro. E esse recorte de tempo é, como o evento, único, efêmero. Aqui é a própria efemeridade do ato que irá dotá-la de um ar de mistério. O ato não se repete. Apenas os parcos registros fotográficos dão fé do ocorrido.
Há uma série de elementos postos em cena – elementos que são tanto materiais quanto, digamos, performáticos: uma espécie de tapete de feltro, as lebres mortas, a gordura nos cantos da galeria, o espaço reservado, os sons emitidos pelo artista e o próprio artista. Os elementos, à primeira vista, parecem desconexos. Podemos imaginar que as lebres mortas têm relação com os sons de animais produzidos pelo artista. Mas qual a conexão do resto? Será que há sentido nisso tudo?
(Arte, crítica e mundialização, 2008. Adaptado.)
Diferentemente da apresentação de Joseph Beuys, um quadro exposto em um museu tem: