Leia o texto para responder à questão.
Metaforicamente, o Brasil vive com um pé no campo e outro na cidade, o que se reflete na literatura, que sempre espelha imagens sutis da nação. Amadurecemos mantendo uma divisão marcante entre esses dois mundos, a um tempo geográficos e ideológicos. José de Alencar (1829-1877) fez do exotismo brasileiro a chave da nacionalidade (do “nacionalismo”, diríamos hoje), de acordo com o ideário de poder do longo período de Dom Pedro II: seus romances eram mapas geográfico-mentais que nos definiam brasileiros (numa imagem, aliás, em que o negro ainda estava ausente, embora fosse visto em toda parte). Já o mulato Machado de Assis (1839-1908), criador da literatura mais refinada das Américas do seu tempo, jamais gastou duas linhas para descrever a natureza, o exótico, o peculiar – todo o seu universo é puramente urbano e mental. Nessas duas vertentes, encontramos duas imagens culturais do Brasil, que se entrecruzam numa tensão que permanece vivíssima entre nós.
(Cristovão Tezza. “Mundo rural, mundo urbano, e o Brasil no meio”. www.gazetadopovo.com.br, 27.10.2014.)
Com base na opinião expressa no texto, nos conceitos de literatura e nos conhecimentos sobre a obra de José de Alencar, pode-se afirmar que o projeto literário desse autor