Leia o trecho a seguir, retirado da obra de Aluísio Azevedo, O Cortiço.
Daí a pouco, em volta das bicas era um zunzum crescente; uma aglomeração tumultuosa de machos e fêmeas. Uns, após outros, lavavam a cara, incomodamente, debaixo do fio de água que escorria da altura de uns cinco palmos. O chão inundava-se. As mulheres precisavam já prender as saias entre as coxas para não as molhar; via-se-lhes a tostada nudez dos braços e do pescoço, que elas despiam, suspendendo o cabelo todo para o alto do casco; os homens, esses não se preocupavam em não molhar o pelo, ao contrário metiam a cabeça bem debaixo da água e esfregavam com força as ventas e as barbas, fossando e fungando contra as palmas da mão. As portas das latrinas não descansavam, era um abrir e fechar de cada instante, um entrar e sair sem tréguas. Não se demoravam lá dentro e vinham ainda amarrando as calças ou as saias; as crianças não se davam ao trabalho de lá ir, despachavam-se ali mesmo, no capinzal dos fundos, por detrás da estalagem ou no recanto das hortas.
(AZEVEDO, Aluísio. O cortiço).
Essa obra tem como cenário uma habitação coletiva e difunde as teses naturalistas, que explicam o comportamento dos personagens com base na influência do meio, da raça e do momento histórico.
Analise as assertivas.
I – Esse trecho contém características do Naturalismo, vertente do Realismo, por comparar o cortiço a um organismo vivo, um espaço da natureza.
II – O autor quer nos mostrar que a desordem, a degradação sexual, a promiscuidade são resultados desse meio.
III – Os verbos utilizados são de estado, predominantemente, o que faz com que o leitor consiga imaginar a cena descrita.
IV – O autor utiliza linguagem dinâmica, que demonstra a vivacidade do espaço, além de termos referentes a animais, que caracterizam homens e mulheres.
Está correto o que se afirma apenas em