Leia o trecho abaixo, do livro O teatro épico, de Anatol Rosenfeld.
“O gênero lírico foi mais acima definido como sendo
o mais subjetivo: no poema lírico uma voz central
exprime um estado de alma e o traduz por meio
de orações. Trata-se essencialmente da expressão
de emoções e disposições psíquicas, muitas vezes
também de concepções, reflexões e visões enquanto
intensamente vividas e experimentadas.”
Agora leia o poema “A Árvore da Serra”, de Augusto dos Anjos.
As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
— Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh'alma!...
— Disse — e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra.
Marque as assertivas abaixo com V (para verdadeiro) ou F (para falso).
( ) Se o gênero lírico exprime apenas um estado de alma, o poema acima é um texto épico, já que narra a história do conflito entre pai e filho diante da derrubada de uma árvore.
( ) Como o soneto acima é estruturado por meio de diálogos, trata-se de texto dramático, ou seja, um texto que pode ser montado como uma peça de teatro.
( ) O soneto de Augusto dos Anjos é do gênero lírico, pois o eu lírico exprime nele a necessidade de preservação da natureza e o sentimento de conexão do ser humano com o mundo natural.
( ) Um poema (como o texto acima) pode ser lírico e, ainda assim, conter traços de outros gêneros, como a pequena narrativa que se dá entre pai e filho, no caso citado.
( ) Já que se trata de uma narrativa, entende-se que a explicação literal para a morte do filho, ao fim da história, é que ele foi esmagado pela árvore que o pai derrubou
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.