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CAPÍTULO XLIX / UMA VELA AOS SÁBADOS
Estávamos contentes, entramos a falar do futuro. Eu prometia à minha esposa uma vida sossegada e bela, na roça ou fora da cidade. Viríamos aqui uma vez por ano. Se fosse em arrabalde, seria longe, onde, ninguém nos fosse aborrecer. A casa, na minha opinião, não devia ser grande nem pequena, um meio-termo; plantei-lhe flores, escolhi móveis, uma sege e um oratório. Sim, havíamos de ter um oratório bonito, alto, de jacarandá, com a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Demorei-me mais nisto que no resto, em parte porque éramos religiosos, em parte para compensar a batina que eu ia deitar às urtigas - mas ainda restava uma parte que atribuo ao intuito secreto e inconsciente de captar a proteção do céu. Havíamos de acender uma vela aos sábados...
(Dom Casmurro, Machado de Assis)
sege: carruagem fora de uso, com duas rodas, um só assento, fechado com cortinas na parte dianteira.
Ao fazer planos para uma vida a dois, Bentinho inclui a ideia de “compensar a batina”. Pode-se entender que Bentinho: