Leia o trecho do ensaio “Delicadeza”, de Maria Rita Kehl, para responder à questão.
A delicadeza não é uma qualidade intrínseca do humano. Isso é justamente o que a faz necessária. A delicadeza não é causa de nossa humanidade, é efeito dela. Não é meio, é finalidade. O homem não é necessariamente delicado – daí a urgência de se preservar, na vida social, as condições para a vigência de alguma delicadeza.
Erramos ao chamar os atos que nos repugnam de desumanos. O homem, não o animal, usa de violência contra seu semelhante. O homem inventou o prazer da crueldade: o animal só mata para sobreviver. O homem destrói o que ama – pessoas, coisas, lugares, lembranças. Se perguntarem a um homem por que razão ele se permitiu abusar de seu semelhante indefeso, ele dirá: eu fiz porque nada me impediu de fazer. O abuso da força é um gozo ao qual poucos renunciam. Além disso, o homem é capaz de indiferença, essa forma silenciosa e obscena de brutalidade. O homem atropela o que é mais frágil que ele – por pressa, avidez, sofreguidão, rivalidade –, sem perceber que com isso atropela também a si mesmo.
(Adauto Novaes (org.). A condição humana, 2009. Adaptado.)
Em “O homem não é necessariamente delicado” (1º parágrafo) e “Além disso, o homem é capaz de indiferença, essa forma silenciosa e obscena de brutalidade” (2º parágrafo), os termos sublinhados podem ser substituídos, sem prejuízo para o sentido do texto, por