Leia o trecho inicial do conto “Conversa de bois”, de Guimarães Rosa, para responder à questão.
Que já houve um tempo em que eles conversavam, entre si e com os homens, é certo e indiscutível, pois que bem comprovado nos livros das fadas carochas. Mas, hoje-em-dia, agora, agorinha mesmo, aqui, aí, ali, e em toda parte, poderão os bichos falar e serem entendidos, por você, por mim, por todo o mundo, por qualquer um filho de Deus?— Falam, sim senhor, falam!... — afirma o Manuel Timborna, das porteirinhas, filho do Timborna velho, pegador de passarinhos; — Manuel Timborna, que, em vez de caçar serviço para fazer, vive falando invenções só lá dele mesmo, coisas que as outras pessoas não sabem e nem querem escutar.
(João Guimarães Rosa. Sagarana. In Ficção completa.Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 2009, p. 211, vol. 1. Adaptado)
Na passagem – ... hoje-em-dia, agora, agorinha mesmo... – o narrador