Leia os segmentos abaixo do ensaio A nova narrativa, de Antonio Candido, sobre a ficção brasileira a partir da década de 1960.
O esforço do escritor atual é inverso. Ele deseja apagar as distâncias sociais, identificando-se com a matéria popular. Por isso usa a primeira pessoa como recurso para confundir autor e personagem, adotando uma espécie de discurso direto permanente e desconvencionalizado, que permite fusão maior que a do indireto livre. Esta abdicação estilística é um traço da maior importância na atual ficção brasileira.
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Este ânimo de experimentar e renovar talvez enfraqueça a ambição criadora, porque se concentra no pequeno fazer de cada texto. Daí o abandono dos grandes projetos de antanho. [...] O ímpeto narrativo se atomiza e a unidade ideal acaba sendo o conto, a crônica, o sketch, que permitem manter a tensão difícil da violência, do insólito ou da visão fulgurante.
Considere as seguintes afirmações.
I - O autor procura justificar a tendência crescente de romances brasileiros narrados em primeira pessoa, que se verifica até hoje.
II - Os “grandes projetos” podem ser exemplificados em obras como o Ciclo da cana-de-açúcar, de José Lins do Rego, como os Romances da Bahia, de Jorge Amado, como O tempo e o vento, de Erico Verissimo.
III- O autor procura justificar a emergência de narrativas curtas no Brasil, como o conto e a crônica.
Quais estão corretas?