Leia os textos a seguir.
E nunca realizei nada na vida.
Sempre a inferioridade me tolheu.
E foi assim, sem luta, que acomodei
na mediocridade de meu destino.
CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e histórias mais. Goiânia: UFG, 1980. p. 157.
Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
CORALINA, Cora. Vintém de cobre: meias confissões de Aninha. Goiânia: UFG, 1985. p. 139.
A poética de Cora Coralina é acentuadamente autobiográfica. Nestes dois fragmentos, ao falar de certos contornos de sua própria vida, a escritora apresenta a si mesma de forma contraditória, ora marcada por resignação (primeiro poema), ora marcada pelo desafio (segundo poema).
Essa contradição pode ser identificada a partir dos seguintes recursos linguísticos: