Leia os textos a seguir para responder à questão
TEXTO III
Triste Bahia
Caetano Veloso
Triste Bahia, oh, quão dessemelhante estás
E estou do nosso antigo estado
Pobre te vejo a ti, tu a mim empenhado
Rico te vejo eu, já tu a mim abundante
Triste Bahia, oh, quão dessemelhante
A ti tocou-te a máquina mercante
Quem tua larga barra tem entrado
A mim vem me trocando e tem trocado
Tanto negócio e tanto negociante
Triste, oh, quão dessemelhante, triste...
Pastinha já foi à África
Pastinha já foi à África
Pra mostrar capoeira do Brasil
Eu já vivo tão cansado
De viver aqui na Terra
Minha mãe, eu vou pra lua
Eu mais a minha mulher
Vamos fazer um ranchinho
Tudo feito de sapê, minha mãe, eu vou pra lua
E seja o que Deus quiser
Triste, oh, quão dessemelhante
Ê, ô, galo canta
O galo cantou, camará
Ê, cocorocô, ô cocorocô, camará
Ê, vamo-nos embora, ê vamo-nos embora camará
Ê, pelo mundo afora, ê pelo mundo afora camará
Ê, triste Bahia, ê triste Bahia, camará
Bandeira branca enfiada em pau forte
Afoxé leî, leî, leô
Bandeira branca, bandeira branca enfiada em pau
forte
O vapor da cachoeira não navega mais no mar
Triste recôncavo, oh, quão dessemelhante
Maria, pegue o mato, é hora, arriba a saia e vamonos embora
Pé dentro, pé fora, quem tiver pé pequeno vai
embora
Oh, virgem mãe puríssima
Bandeira branca enfiada em pau forte
Trago no peito a estrela do Norte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Disponível em: https://www.letras.mus.br/caetano-veloso/423798/. Acesso: 09 abr. 2019
TEXTO IV
À cidade da Bahia
Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.
A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando, e tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Deste em dar tanto açúcar excelente
Pelas drogas inúteis, que abelhuda
Simples aceitas do sagaz Brichote.
Oh se quisera Deus que de repente
Um dia amanheceras tão sisuda
Que fora de algodão o teu capote!
(MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. Seleção e organização de José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p.44)
Sobre os textos anteriores, analise as proposições como verdadeiras ou falsas:
I. O texto IV estabelece uma relação intertextual com o texto III.
II. Os dois textos lamentam o estado da cidade da Bahia, ameaçada pela ditadura militar (texto III) e
pela exploração financeira durante o período colonial (texto IV).
III. O texto IV exalta a Bahia, enquanto o texto III a critica.
IV. Pela temática e autoria, o texto IV se enquadra no Barroco.
V. O termo “Brichote”, no texto IV, faz referência aos estrangeiros que exploravam a Bahia.
Assinale a alternativa CORRETA.