Leia os textos I e II, a seguir, para responder às
proposições solicitadas:
TEXTO I
O LUTADOR
Lutar com as palavras
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.
[...]
Não me julgo louco.
[...]
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
[...]
Lutar com palavras
parece sem fruto.
Não têm carne e sangue
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
[...]
se me desafias,
aceito o combate.
[...]
Luto corpo a corpo,
luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
[...]
[...]
e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
[...]
O ciclo do dia
ora se consuma
e o inútil duelo
jamais se resolve.
[...]
(ANDRADE, Carlos Drumond de. O lutador. In: ______. AntologiaPoética. Organizada pelo autor. 40. ed. Rio de Janeiro:Record, 1998. p. 182-184. Adaptado.)
TEXTO II
AS PALAVRAS
As palavras são boas. As palavras são más. As palavras ofendem. As palavras pedem desculpa. As palavras queimam. As palavras acariciam. As palavras são dadas, trocadas, oferecidas, vendidas e inventadas. As palavras estão ausentes. [...] As palavras aconselham, sugerem, insinuam, ordenam, impõem, segregam, eliminam. [...] O mundo gira sobre palavras lubrificadas com óleo de paciência. Os cérebros estão cheios de palavras [...] Por isso as pessoas fazem o contrário do que pensam, julgando pensar o que fazem. Há muitas palavras.
E há os discursos, que são palavras encostadas umas às outras, em equilíbrio instável graças a uma precária sintaxe, até ao prego final do Disse ou Tenho dito. Com discursos se comemora, se inaugura, se abrem e fecham sessões [...]. São brindes, orações, palestras e conferências. Pelos discursos se transmitem louvores, agradecimentos, programas e fantasias. E depois as palavras dos discursos aparecem deitadas em papéis, são pintadas de tinta de impressão – e por essa via entram na imortalidade do Verbo. [...]
[...] A palavra, mesmo quando não afirma, afirmase. A palavra não responde nem pergunta: amassa [...]. A palavra não mostra. A palavra disfarça.
[...] Daí que as palavras sejam instrumento de morte – ou de salvação. Daí que a palavra só valha o que valer o silêncio do ato.
[...] O silêncio, por definição, é o que não se ouve. O silêncio escuta, examina, observa, pesa e analisa. O silêncio é fecundo [...]. Caem sobre ele as palavras. Todas as palavras. As palavras boas e as más. O trigo e o joio. Mas só o trigo dá pão.
(SARAMAGO, José. As palavras. In: ______. Antologia: Deste Mundo e do Outro, Editorial Caminho, Lisboa, 4. ed., 1997. Adaptado.)
Considere a leitura dos textos I e II, a fim de analisar as afirmações a seguir:
I - Os textos pertencem ao mesmo gênero textual.
II - Em ambos os textos, os autores exploraram a metalinguagem.
III - A temática desenvolvida no Texto I é oposta à expressa no Texto II.
IV - No Texto II, a repetição de vocábulos é uma marca linguística da sua concentração temática.
Em relação às proposições analisadas, marque a única alternativa correta: