Leia um trecho da Lira XIV de Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga
Minha bela Marília, tudo passa;
A sorte deste mundo é mal segura;
Se vem depois dos males a ventura,
Vem depois dos prazeres a desgraça.
Estão os mesmos Deuses
Sujeitos ao poder do ímpio Fado:
Apolo já fugiu do Céu brilhante,
Já foi Pastor de gado¹.
[...]
Ah! enquanto os Destinos impiedosos
Não voltam contra nós a face irada,
Façamos, sim, façamos, doce amada,
Os nossos breves dias mais ditosos.
Um coração, que frouxo
A grata posse de seu bem difere,
A si, Marília, a si próprio rouba,
(Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.)E a si próprio fere.
1Apolo foi expulso do Olimpo por Júpiter, irritado com o filho por ter traspassado com flechas os Ciclopes e desafiado sua autoridade.
Exilado do céu, Apolo refugiou-se na casa de Admeto, rei da Tessália, tornando-se guardador de seu rebanho.
Verifica-se rima entre palavras de classes gramaticais diferentes em: