Leia um trecho do poema “Matéria de poesia”, de Manoel de Barros (1916-2014), para responder à questão.
Tudo aquilo que a nossa
civilização rejeita, pisa e mija em cima,
serve para poesia
Os loucos de água e estandarte
servem demais
O traste é ótimo
O pobre-diabo é colosso
[…]
Pessoas desimportantes
dão pra poesia
qualquer pessoa ou escada
[…]
O que é bom para o lixo é bom para a poesia
[…]
As coisas jogadas fora
têm grande importância
− como um homem jogado fora
Aliás é também objeto de poesia
saber qual o período médio
que um homem jogado fora
pode permanecer na terra sem nascerem
em sua boca as raízes da escória
As coisas sem importância são bens de poesia
(Poesia completa, 2013.)
O poema estabelece, entre homens e coisas, uma relação de