Leio neste número 45 da revista História viva a abertura do artigo de Emmanuel Bourassin.
O mercenarismo existe há milênios. Em todas as épocas, reis e Estados contrataram estrangeiros para suprir a falta de efetivos ou servir no corpo de segurança dos soberanos. Os egípcios tinham às suas ordens os guerreiros dos povos do mar e os núbios. Cartago quase sucumbiu à revolta de seus mercenários e Roma, desde o império dos Doze Césares, contratava bárbaros, francos, númidas e godos, o que acabou sendo sua perdição.
Fico imaginando se foi a propagação do sentimento nacionalista que deixou em baixa ou suprimiu de vez o fenômeno do mercenarismo. No Brasil, terá ele existido? Pergunto-me se jagunços e cangaceiros terão sido, vez ou outra, mercenários. Afora isso, não consigo imaginar o tecido nacionalista que se estendeu desde nossa pré-Independência até o modernismo de 22 sendo rompido pelo recurso a forças estrangeiras − a não ser para serem culturalmente devorados pelo antropófago Oswald de Andrade.
(Nuno Cordeiro do Amaral, inédito)
Se o aspecto de mercenarismo analisado no texto não alcançou representação na história do Brasil, deve-se considerar que