Machado de Assis é autor de textos consagrados na tradição literária brasileira. Entre seus romances, destacam-se: Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro, Memorial de Aires e Esaú e Jacó.
Sobre este último, do qual foi transcrito abaixo um fragmento, é correto afirmar:
“Tudo esperavam, menos os dois gêmeos, e nem por ser o espanto grande, foi menor o amor. Entende-se isto sem ser preciso insistir, assim como se entende que a mãe desse aos dois filhos aquele pão inteiro e dividido do poeta; eu acrescento que o pai fazia a mesma coisa. Viveu os primeiros tempos a contemplar os meninos, a compará-los, a medi-los, a pesá-los. Tinham o mesmo peso e cresciam por igual medida. A mudança ia-se fazendo por um só teor. O rosto comprido, cabelos castanhos, dedos finos e tais que, cruzados os da mão direita de um com os da esquerda de outro, não se podia saber que eram de duas pessoas. Viriam a ter gênio diferente, mas por ora eram os mesmos estranhões. Começaram a sorrir no mesmo dia. O mesmo dia os viu batizar.”
ASSIS, Joaquim Maria Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: FDT, 2011, p. 34.