Mãos dadas
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro. [...]
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Com base na leitura do trecho do poema de Carlos Drummond de Andrade, que integra a coletânea Sentimento do mundo, pode-se afirmar que o autor