Mas a necessidade de participação ativa que sentia o espectador não fazia desistir os operários e operárias que formavam o primeiro público cinematográ- fico. Tanto quanto cientistas como Marey, eles revelavam um apetite pelo domínio do tempo e do movimento. Embora o seu gosto devesse satisfazer-se em salas abarrotadas, escuras e malcheirosas, poucos renunciariam a tais oportunidades de prazer e poder vicário¹. Acorriam famintos ao cinema e transformavam, por meio dos seus níqueis, um instrumento de ciência e diversão no primeiro de meio de entretenimento de massa. (...) O que emocionava o público das primeiras projeções de tela grande não eram números de vaudeville², mas cenas nunca vistas no interior de um teatro – ondas do mar que açoitavam as rochas, locomotivas que avançavam, as maravilhas da natureza e das máquinas, sítios distantes, espetáculos raros e insólitos.
(Rober Sklar, História Social do Cinema Americano)
¹vicário: que faz as vezes de outrem ou de outra coisa; vigário.
²vaudeville: gênero teatral de entretenimento de variedades, predominante nos Estados Unidos e Canadá do início dos anos 1880 ao início dos anos 1930.
Do texto podemos inferir que: