Mas vieram vindo, então, e eram muitos. Foge, gritei, estendendo o braço. Minha mão agarrou um espaço vazio. O pontapé nas costas fez com que me levantasse. Ele ficou no chão. Estavam todos em volta. Ai - ai, gritavam, olha as loucas. Olhando para baixo, vi os olhos dele muito abertos e sem nenhuma culpa entre as outras caras dos homens. A boca molhada afundando no meio duma massa escura, o brilho de um dente caído na areia. Quis tomá-lo pela mão, protegê-lo com meu corpo, mas sem querer estava sozinho e nu correndo pela areia molhada, os outros todos em volta, muito próximos.
Fechando os olhos então, como um filme contra as pálpebras, eu conseguia ver três imagens se sobrepondo. Primeiro o corpo suado dele, sambando, vindo em minha direção. Depois as Plêiades, feito uma raquete de tênis suspensa no céu lá em cima. E finalmente a queda lenta de um figo muito maduro, até esborrachar-se contra o chão em mil pedaços sangrentos.
ABREU, Caio Fernando. Terça-feira gorda. Morangos mofados. Rio de Janeiro: Agir, 2005. p. 59.
Identifique com V as afirmativas verdadeiras e com F, as falsas.
O fragmento, no contexto do conto, por meio do relacionamento momentâneo dos dois personagens, expressa
( ) a violência contra a autenticidade do ser.
( ) a frustração decorrente do amor não correspondido.
( ) o mascaramento como solução para os conflitos sociais.
( ) o choque entre duas mentalidades, uma castradora e outra libertária.
( ) a consciência coletiva de que os padrões de comportamento são múltiplos e sujeitos a mudanças.
A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é a