Meu rosto
viajei em muitas faces
emigrei de tantas formas
à procura do meu rosto
de um espelho para o outro
desde antes a até
atrás da imagem buscada
cada onda que vai
me arrasta
uma face transmitida
na procura de que rosto
quantos espelhos quebrei?
por quais águas me afoguei?
CUNHA, Helena Parente. Além de estar: Antologia poética. Rio de Janeiro: Imago; Salvador-BA: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 2000. p. 45.
Retrato Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?
MEIRELES, Cecília. Retrato. Obra poética, Biblioteca luso-brasileira: Série brasileira. Companhia J. Aguilar, 1958. vol. 4, p. 10.
A comparação entre os versos de Helena Parente e os de Cecília Meireles está sem respaldo textual na alternativa