Mistério
À memória do pequeno alberto
Sei que tu'alma carinhosa e mansa
Voou, sorrindo, para o Azul celeste;
Sei que teu corpo virginal descansa
Aqui da terra n'um cantinho agreste.
Tudo isto sei: mas tu não me disseste
Se lá no céu, na pátria da Esperança,
Ou aqui no mundo, à sombra do cipreste,
Deixaste o coração, loura criança!
Desceu acaso como corpo à terra
Ele tão puro e que só a luz encerra ?
Não creio nisso e ninguém crê decerto...
Enquanto, eu cismo que, num vale ameno,
Talvez o seio de um jasmim pequeno
Sirva de berço ao coração de Alberto.
Macaíba - março de 1895
SOUZA, Auta de. Horto, outros poemas e ressonâncias: obras reunidas. Natal, RN: EDUFRN - Editora de UFRN,
2009, p. 82
Observando os elementos estilístico-formais do poema, que se configura como um soneto, é correto afirmar que