“Morreu a senhora do construtor, na casa ali em frente, de duas janelas e alpendre modesto, onde sobem trepadeiras. Morreu ontem. E hoje pela manhã, antes de se completarem vinte e quatro horas, foi o enterro. Os autos vieram chegando um a um, despejando homens de preto, alguns sérios, outros despreocupados ou aborrecidos, e entre eles um que ria contando ao companheiro uma história picante. Crianças enchiam a rua. Nas casas próximas, mulheres se debruçavam à janela, para ver melhor. Fora, os autos manobravam tomando posição, para alegria dos garotos, que se enterneciam com a simples proximidade dos pneumáticos”.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. “Enterro na rua pobre”, in: Confissões de Minas.)
A respeito de aspectos referentes à construção do texto, pode-se dizer que: