Música brasileira (Olavo Bilac)
Tens, às vezes, o fogo soberano
Do amor: encerras na cadência, acesa
Em requebros e encantos de impureza,
Todo o feitiço do pecado humano.
Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza
Dos desertos, das matas e do oceano:
Bárbara poracé, banzo africano,
E soluços de trova portuguesa.
És samba e jongo, xiba e fado, cujos
Acordes são desejos e orfandades
De selvagens, cativos e marujos:
E em nostalgias e paixões consistes,
Lasciva dor, beijo de três saudades,
Flor amorosa de três raças tristes.
(BILAC, Olavo. Música brasileira. IN: BANDEIRA, Manuel. Apresentação da poesia brasileira. São Paulo: Cosac Naify, 2009, p. 315)
O poema de Olavo Bilac interpreta a música brasileira a partir do encontro entre portugueses, africanos escravizados e indígenas.
A tristeza atribuída pelo eu lírico a essa música deve-se ao (à)