Na rua achei-me tão ridículo com os meus vinte e cinco anos e os meus escrúpulos extravagantes, que estive para voltar. Como podia eu temer um engano, depois do que sabia dessa mulher?
Encontrei-me à tarde com Sá no Hotel da Europa, onde costumava jantar. Estava ainda muito viva a lembrança do que me sucedera naquela manhã para não aproveitar a ocasião de falar-lhe a respeito, tendo porém o cuidado de ocultar o papel que havia representado na pequena comédia.
– Tens visto a Lúcia? perguntei-lhe.
– Não; há muito tempo que não a encontro.
– Tu a conheces bem, Sá?
– Ora! Intimamente!
– Tens toda a certeza de que ela seja o que me disseste na Glória?
– E esta! Pois duvidas?... Vá à casa dela; já te apresentei.
– Supunha que fosse apenas uma dessas moças fáceis, a quem contudo é preciso fazer a corte por algum tempo.
– O tempo de abrir a carteira. Andas no mundo da lua, Paulo. Queres saber como se faz a corte à Lúcia?...
Dando-lhe uma pulseira de brilhante, ou abrindo-lhe um
crédito no Wallerstein.
ALENCAR, José, Lucíola. São Paulo: Ática, 1994, p. 21.
Quanto ao foco narrativo de Lucíola, pode-se dizer que: