Não à toa, assim Breton definiu a si mesmo e a seus correligionários no I Manifesto: “Surrealismo. s.m. Automatismo
psíquico puro, por meio do qual alguém se propõe a expressar – verbalmente, utilizando a palavra escrita, ou qualquer
outra maneira – o verdadeiro funcionamento do pensamento, na ausência do controle exercido pela razão, livre de qualquer
preocupação estética ou moral”.
[5] Esta herança antirracionalista é o que alça o surrealismo ao conflito com outras tendências artísticas, como os
construtivistas e os formalistas, que floresceram na Europa após a 1ª Grande Guerra. Pela gênese francesa, o surrealismo
emparelha-se com similares em proposta, porém não em método e resultado, como o cubismo, fortalecido pela volta dos
romantismos francês e alemão. Até compartilhava valores com o simbolismo e a pintura metafísica, mas é especialmente
com o viés dessacralizador e emputecido do dadaísmo que sempre conversou mais. António lembra que “o empenho
[10] político do surrealismo e dos surrealistas fez-se em torno de questões como a linha antiarte e a tradição revolucionária do
movimento dadaísta”. Além do mais, muitos surrealistas se escolaram naquela corrente, inclusive Breton, que rompeu
com o dadaísmo apenas em 1922. Ambos promoviam uma crítica severa à racionalidade burguesa e saudavam “O
Maravilhoso, o universo fantástico e os domínios do onírico”.
BELLÉ, Junior. Estilhaços de um olhar mágico. Disponível em: http://www.revistadacultura.com.br/revistadacultura/detalhe/14-05-05/ Estilha%C3%A7osdeumolhom%C3%A1gico.aspx. Acesso em: 17 maio 2014. Adaptado.
De acordo com a leitura do texto, que aborda a arte surrealista, por ocasião de seus 90 anos, o principal propósito dessa vanguarda está descrito em