Não há receita fácil para os problemas criados na esteira da globalização nem é certo que o fenômeno perdure mais que o tempo de tornar o capitalismo mais forte e mais concentrado, pela agregação de capital ou por sua acumulação. O fato é que, socialmente, seus benefícios têm sido feitos mais de simulacros do que de distribuição efetiva da riqueza do mundo, a qual está cada vez mais transnacional, livre para circular, mas ancorada na propriedade exclusiva dos grandes conglomerados que, ao enriquecerem mais e mais, empobrecem os Estados, os governos, as nações e as populações marginalizadas da Terra. Nesse sentido, não paira a mínima dúvida de que há exclusão social. O desafio é também entender como ela se dá ─ e como sempre se deu ─ nesse espaço cada vez menos físico, cada vez menos geográfico da universalidade da máquina, da globalidade da vida, tecida na teia intrincada do fluxo e da circulação da informação.
(Carlos Vogt. “Parábola do cão digital”. www.comciencia.br, 09.09.2020. Adaptado.)
O excerto sintetiza uma característica marcante do sistema capitalista