Não houve jeito de a agência funerária receber o esquife de volta, nem pela metade do preço. Tiveram de pagar, mas Vanda aproveitou as velas que sobraram. O caixão está até hoje no armazém de Eduardo, esperançoso ainda de vendê-lo a um morto de segunda mão. Quanto à frase derradeira, há versões variadas. Mas, quem poderia ouvir direito no meio daquele temporal? Segundo um trovador do Mercado, passouse assim:
“No meio da confusão
ouviu-se Quincas dizer:
“— Me enterro como entender
na hora que resolver.
Podem guardar seu caixão
pra melhor ocasião.
Não vou deixar me prender
em cova rasa no chão.”
E foi impossível saber
o resto de sua oração.”
AMADO, Jorge. A morte e a morte de Quincas Berro Dágua. 44. ed. Rio de Janeiro: Record, 1979. p. 103.
O trecho, inserido na obra, permite afirmar: