Não lhes faltava consciência de que assumir tal postura representava um pesado ônus. E o depoimento de uma das mais ativas militantes demonstra-o, ao registrar que “a mulher que estuda, que pensa, ...é objeto de críticas e censuras à sua própria dignidade, e faz parte das distrações, dos cafés e dos bilhares ...”. Afinal, os médicos com seu domínio do conhecimento científico afirmavam que a mulher foi formada para sentir como o homem foi criado para pensar e “àquelas que têm apresentado uma inteligência superior, têm sido à custa de suas qualidades femininas”. Doenças, comportamento aberrante, esterilidade, degeneração racial eram alguns desses perigos decorrentes da inversão desse princípio, inclusive porque do desenvolvimento do cérebro feminino resultava a atrofia do útero.
SOIHET, Rachel. O feminismo tático de Bertha Lutz. Florianopólis. Ed. Mulheres, Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2006. p.
O texto apresenta uma percepção da sociedade brasileira, que utilizava argumentos científicos para justificar o preconceito de gênero e restringir a vida feminina a espaços sociais secundários e submissos como o de mãe, esposa e dona de casa.
Esse posicionamento indica que