No Arcadismo era comum que o eu-lírico sofresse com o distanciamento da mulher amada. Tomás Antônio Gonzaga, em Marília de Dirceu, também sofreu, mas deu um outro tom a esse aspecto do arcadismo.
Leia atentamente os fragmentos dos poemas de Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manuel da Costa e, em seguida, indique a alternativa cujos versos comprovam a afirmação acima.
I- [...]
Mas tenho ainda mais cruel tormento:
Por coisas que me afligem, roda, e gira
Cansado pensamento.
Com retorcidas unhas agarrado
Às tépidas entranhas não me come
Um abutre esfaimado;
Mas sinto de outro monstro a crueldade:
Devora o coração, que mal palpita,
O abutre da saudade.
Não vejo os pomos, nem as águas vejo,
Que de mim se retiram quando busco
Fartar o meu desejo;
Mas quer, Marília, o meu destino ingrato
Que lograr-se não possa, estando vendo
Nesta alma o teu retrato.
Estou no Inferno, estou, Marília bela;
E numa coisa só é mais humana
A minha dura estrela:
Uns não podem mover do Inferno os passos;
Eu pretendo voar, e voar cedo
À glória dos teus braços.
Tomás Antônio Gonzaga.
II- Ai Nise amada...
Ai Nise amada! se este meu tormento,
se estes meus sentidíssimos gemidos
lá no teu peito, lá nos teus ouvidos
achar pudessem brando acolhimento;
como alegre em servir-te, como atento
meus votos tributara agradecidos!
Por séculos de males bem sofridos
trocara todo o meu contentamento.
Mas se na incontrastável pedra dura
de teu rigor não há correspondência
para os doces afetos de ternura,
cesse de meus suspiros a veemência;
que é fazer mais soberba a formosura
adorar o rigor da resistência.
Cláudio Manuel da Costa