No Atlântico português formou-se uma matriz espacial colonial específica. De um lado, no litoral da América do Sul, desenvolveram-se uma economia e uma sociedade fundadas no trabalho escravo africano. Do outro, principalmente em Angola, mas também no Golfo da Guiné, situavam-se as redes de reprodução dessa mão de obra escrava. As duas margens do Atlântico Sul completavam-se em um só sistema de exploração colonial, cuja singularidade ainda marca profundamente o Brasil contemporâneo.
(Luiz Felipe de Alencastro. “Sem Angola não há Brasil”. In: Luciano Figueiredo (org.). História do Brasil para ocupados, 2013.)
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