No conto ‘Felicidade Clandestina’, de Clarice Lispector, as sensações que a protagonista tem antes e depois da conquista do objeto de desejo, um livro emprestado, são distintas. Quais papéis o decorrer do tempo assume nesses dois momentos?
Antes: “O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte.”
Depois: “Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga[...]”
Fonte: LISPECTOR, C. Felicidade Clandestina: contos. 2. Ed. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1975, p. 06 e 08.