No final de agosto, um manifesto de instituições e pesquisadores passou quase despercebido do grande
público e teve pouca repercussão na imprensa. Intitulado “O que nos tira o sono?”, o documento afirma que o
Brasil perdeu o controle sobre a epidemia da Aids e que hoje dispõe de um programa desatualizado e
insuficiente para enfrentar a configuração nacional da doença. Ele pode ser taxado de alarmista por gestores
públicos e outra parte dos pesquisadores. Afinal, ser portador de HIV deixou de ser uma sentença de morte e
novas descobertas de tratamento surgem a cada ano. O país investe pesado na distribuição de medicamentos de
combate à epidemia (R$ 900 milhões à compra de coquetéis só no ano passado). E o Boletim Epidemiológico
Aids e DST 2011, do Ministério da Saúde, aponta para uma estabilização da taxa da doença ao longo dos últimos
12 anos.
Mas há sempre o outro lado: no mesmo período, por regiões, a taxa de incidência da doença diminuiu apenas
no Sudeste e aumentou no Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ainda conforme o boletim, a taxa de prevalência
da infecção pelo HIV na população jovem apresenta “tendência ao aumento”. As campanhas de prevenção não
se comparam àquelas realizadas no decorrer dos anos 90. A disseminação do vírus entre heterossexuais não
recebe a devida divulgação. E o Brasil continua a quantificar oficialmente apenas os casos de Aids e não os de
infecção por HIV.
O título do manifesto, a propósito, é uma alusão à participação do Brasil na XIX Conferência Internacional
de Aids, realizada em Washington, nos Estados Unidos, no final de julho. Durante a conferência, questionado
sobre o que lhe tirava o sono hoje, o representante do governo brasileiro respondeu que dormia tranquilo. Se os
gestores nacionais dormem tranquilos, o que dizer daqueles que atuam em solo gaúcho? Porque, quando o tema
é Aids, o Rio Grande do Sul e Porto Alegre batem praticamente todos os recordes.
Qual a função morfológica dos termos sublinhados, na ordem em que se encontram, no trecho abaixo?
“As campanhas (1) de (2) prevenção (3) não se (4) comparam àquelas realizadas no decorrer dos anos 90”. (l. 12-13)