No final do século XVII, um jesuíta italiano residente na Bahia pregou aos senhores um longo sermão sobre as “Obrigações dos senhores para com os escravos”. Modificado, o texto foi publicado em 1705 com o título Economia Cristã dos Senhores no Governo dos Escravos. Neste livro, explicava aos senhores, com bases teológicas e filosóficas, as regras, normas e modelos que deviam seguir na relação com seus cativos [...]. O escravo devia-se sujeitar-se a trabalhar para seu senhor. O que os senhores deviam dar a seus escravos resumia-se na seguinte fórmula: [...] pão, disciplina e trabalho para o servo. Pão (sustento, vestuário, cuidado nas enfermidades e obrigações de ensinar a doutrina cristã) para que não sucumbissem; castigo, para que não errassem, e trabalho, para que merecessem o sustento e não se fizessem insolentes contra os próprios senhores e contra Deus.
LARA, Silvia Hunold. Campos da violência: escravos e senhores na Capitania do Rio de Janeiro, 1750-1808. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p.45.
Para esse autor, a relação senhor-escravo era