Noite. E eu só, sempre só. Descabeladas,
fora, gemem as árvores; o vento
tem um soluço de arrependimento;
farfalham folhas murchas arrastadas...
Pesa em tudo um cansaço. Andam pasmadas
as nuvens, a vagar no firmamento;
ouço um seco estalar de vigamento
e o fretenir1 de um grilo nas calçadas.
Falo ao silêncio e à noite. E ao que está junto
de mim, a tudo que me vê, pergunto
por ti: que fazes? onde estás? – Então,
do meu cigarro um rolo de fumaça
solta-se, e sobe, e baila, e se adelgaça2,
formando um ponto de interrogação.
(Messidor, 1919.)
1 fretenir: cantar.
2 adelgaçar: tornar fino, menos denso.
Interpretando o soneto, é correto afirmar que o eu lírico