Nos anos cinquenta do século passado abriu-se para o Brasil um amplo leque de perspectivas, sobretudo em função de um pósguerra que não nos deixou de beneficiar − econômica e culturalmente. Se na indústria a criação de uma siderurgia nacional assinalava nossa modernização e aparelhamento produtivo, na cultura sucediam experimentos e projetos de todo tipo. Na música e na arquitetura, por exemplo, novas formas traduziam novas atitudes, novas referências sociais. Na literatura, o fenômeno da prosa de Guimarães Rosa, mágico malabarista da tradição e da invenção, era acompanhado de ousadias da poesia de vanguarda. O Brasil começava a desfazer suas amarras com o arcaísmo cristalizador de fórmulas como: “este é um país essencialmente agrário”.
(Antenor Siqueira, inédito)
Entre as ousadias da poesia de vanguarda da década de 50 do século passado está a seguinte proposta, extraída de um manifesto desses poetas: