Num bar abaixo do Equador às cinco da manhã
escrevo
meu último poema Arrisco-o
ao azar do sangue sobre a mesa mapa
de crises cicatrizes moscas
Gravo-o
fala de mim demão e nódoa
nós e tábua deste barco-bar
que arrumo e rimo:
verso-trapézio
osso
troço de ser
escada onde
lunar
oscilo
solitário
quando
vieram uns anjos
de gravata e me disseram: Fora!
(extraído do livro O Risco Subscrito, 1980)
Ao tratar o tema da criação poética, o autor revela o caráter distinto do trabalho estético se comparado à lógica da ordem social, dos poderes econômico e jurídico.
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