“Num grande número de países e regiões do mundo, a década de 60 se caracterizou pela elaboração de novas formas de expressão política e novos movimentos sociais. Os protagonistas desses movimentos eram diversos, mas tinham um traço comum e inicialmente surpreendente para muitos: provenientes de grupos sociais diferentes dos que povoavam os movimentos operário, socialista ou comunista da ‘Velha Esquerda’, eles tinham também interesses e reivindicações muito diferentes de movimentos revolucionários anteriores. Fossem jovens alemães lutando contra aspectos do passado fascista do seu país, estudantes franceses em revolta contra aspectos autoritários das universidades francesas ou jovens norte-americanos contrários à guerra do Vietnã, essas pessoas possuíam uma visão de transformação social total, mas muito diferente daquela centrada na tomada do poder do Estado ou na apropriação dos meios de produção pelo proletariado industrial, através da ação de partidos políticos agindo em nome dos outros. Poderia se tratar da ‘última grande utopia’, como muitos afirmam, mas destacavam-se por uma visão da transformação que, em lugar de subjugar o indivíduo à coletividade (como acontecia brutalmente nos países sob regime estalinista), partia da transformação do indivíduo e das relações sociais cotidianas para sonhar e estabelecer novas formas de organização coletiva anti-hierárquicas e antiburocráticas.”
ADELMAN, Miriam; A Voz e a Escuta: Encontros e desencontros entre a teoria feminista e a sociologia contemporânea. São Paulo: Blucher, 2016. p.39/40).
O texto de Miriam Adelman aborda a atmosfera de mudanças vivenciada pelos movimentos sociais nos anos de 1960, que agrupavam novos personagens, novas demandas, novas formas de se colocarem na sociedade.
Dentre tantos movimentos e personagens, o Maio de 1968 na França se configurou como um importante movimento que simbolizou a insatisfação desse grupo social. Sobre este movimento, é INCORRETO afirmar que: