O artista inconfessável
Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
[5] Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
[10] não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e difícilmente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
[15] mais direto ao leitor Ninguém
que o feito foi para ninguém.
MELO NETO, João Cabral de. O artista inconfessável. In: STICKEL, Fernando. Aqui tem coisa. São Paulo: DBA Artes Gráficas, 1999. p. 8.
O terceiro e o quarto versos expressam