O CACTO
Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária:
Laocoonte(1) constrangido pelas serpentes,
Ugolino(2) e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco Nordeste, carnaubais, caatingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades(3)
[excepcionais.
Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro horas
[privou a cidade de iluminação e energia:
– Era belo, áspero, intratável.
MANUEL BANDEIRA – Libertinagem
Assinale a afirmação incorreta sobre o poema.