O corpo é o lugar fantástico onde mora, adormecido, um universo inteiro. Como na terra moram adormecidos os campos e suas mil formas de beleza, e também as monótonas e previsíveis monoculturas; como na lagarta mora adormecida uma borboleta, e na borboleta, uma lagarta; como nos sapos moram príncipes e nos príncipes moram sapos; como em obedientes funcionários que fazem o que deles se pede moram Leonardos que voam por espaços sem fim dos sonhos... Tudo adormecido... O que vai acordar é aquilo que a Palavra vai chamar. As palavras são entidades mágicas [...] que despertam os mundos que jazem dentro dos nossos corpos, num estado de hibernação, como sonhos. Nossos corpos são feitos de palavras... Assim podemos ser príncipes ou sapos, borboletas ou lagartas, campos selvagens ou monoculturas, Leonardos ou monótonos funcionários.
(ALVES, Rubens. A alegria de ensinar. 3. ed. s.n. Ars Poética Editora Ltda, 1994.)
Rubem Alves, ao se reportar à força da palavra na construção de significados à vida humana, produz um texto cuja linha de raciocínio da tese, dos argumentos e da conclusão podem ser expressos, respectivamente, pelas figuras de linguagem: