“(...) O enorme interesse e o consumo de produtos de cunho biográfico indicam o importante papel que elas desempenham na cultura contemporânea. O mercado editorial, por exemplo, tem se aproveitado de uma certa avidez pela leitura de biografias e autobiografias e tem lançado muitas obras no gênero que, na maioria das vezes, permanecem na lista dos livros mais vendidos. Do mesmo modo, a televisão tem se exercitado na produção de documentários e entrevistas que vão de encontro a tal curiosidade, como também o cinema tem oferecido filmes sobre algum personagem real, cuja trajetória de vida se presta à ficcionalização na tela. Para se confeccionar tais produtos, buscam-se ou criam-se heróis e outros que passam a ser ofertados como referências exemplares na construção de outras vidas que, no momento em que transcorrem, parecem não ser nem tão heroicas e nem tão dignas de servirem como exemplaridade (cf. Filizola & Rondelli, 1997).
Tal curiosidade, que tem um pouco de bisbilhotice e de interesse pela vida mundana, por outro lado, não deixa de satisfazer um certo sentido de continuidade no tempo, de identificação com os antepassados, com o revisitar de certas formas culturais, uma forma de revivê-las e de fazer com que a fluida e fortuita experiência presente se inspire na vida de outros, anteriores ou contemporâneos, criando-se, com isso, alguns laços de continuidade e de sentido de permanência, mesmo que sejam tênues, a redesenhar um sentimento de coletividade que parece cada dia mais distante (...)”
A mídia e a construção dobiográfico - o sensacionalismo da morte em cena Elizabeth Rondelli; Micael Herschmann. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php.
A partir da leitura do texto e do papel das novas mídias no mundo atual, é possível afirmar que as pessoas, nesse contexto,