O Estilo
O estilo é o sol da escrita. Dá-lhe eterna palpitação, eterna vida. Cada palavra é como que um tecido do organismo do período. No estilo há todas as gradações da luz, toda a escala dos sons.
O escritor é psicólogo, é miniaturista, é pintor – gradua a luz, tonaliza, esbate e esfuminha os longes da paisagem.
O princípio fundamental da Arte vem da Natureza, porque um artista faz-se da Natureza. Toda força e toda a profundidade do estilo está em saber apertar a frase no pulso, domá-la, não a deixar disparar pelos meandros da escrita.
O vocabulário pode ser música ou pode ser trovão, conforme o caso. A palavra tem a sua anatomia; e é preciso uma rara percepção estética, uma nitidez visual, olfativa, palatal e acústica, apuradíssima, para a exatidão da cor, da forma e para a sensação do som e do sabor da palavra.
SOUSA, Cruz e. Obra completa. Outras evocações. Rio de Janeiro: Aguilar, 1961. P.677-8.
Sobre o texto são apresentadas duas afirmativas ligadas pela palavra PORQUE.
O texto explicita musicalidade e sinestesia, duas características marcantes do Simbolismo.
PORQUE
Estão explícitos nos versos a exploração da propriedade sonora da palavra, além do emprego intensivo de aliterações, ecos e assonâncias.
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