O homem utilitarista do século XVIII transforma utensílios de madeira em um torno por diversão, e fantasia que pode transformar os homens da mesma maneira. Mas não tem grandes dotes para a poesia, e mal sabe extrair a moral de uma obra de Shakespeare. Sua casa é aquecida e iluminada a vapor. Ele é um desses que preferem as coisas artificiais em detrimento das naturais, e pensa que a mente humana é onipotente. Ele sente grande desprezo pelas possibilidades da vida ao ar livre, pelos verdes campos e pelas árvores, e sempre reduz tudo aos termos da Utilidade.
(W. Hazlitt. O Espírito do Século, apud Eric J. Hobsbawm. A Era das Revoluções − 1789-1848. Trad. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977, p. 255)
A vida ao ar livre e a paisagem bucólica de verdes campos foram cantadas pela poesia arcádica, como nos versos líricos de Cláudio Manuel da Costa, em que o poeta, todavia,