O médico e escritor Pedro Nava fez as seguintes observações sobre Mário de Andrade e sua obra:
“Importante é conceber essa obra rabelaisiana […] incrustada dos cancioneiros portugueses, da poesia popular brasileira, das lendas da península, de gíria porca e neologismos límpidos, do folclore ameríndio brasileiro, de pureza e sacanagem, de Camões e de Machado de Assis, das duas Arcádias e do Bocage erótico e putanheiro. Importante é esse caldo de cultura onde fermentaria aquela anedota imensa e prodigiosa que será sempre rapsódia hino nacional desse Brasil que se congrega e separa, se junta e se despedaça como no complexo de depeçagem de seu autor. Lembram? dele mandando jogar mãos desvivas prum lado, sexo pro outro, dividir-se na sua cidade saudade ubiquar-se em trezentos trezentos e cinquenta e atoa atoa, no meio dum período, anunciar-se em pedaços sessoltandosse, EU CAIO. Então cai! E o poeta? O cronista? O contista?
(NAVA, Pedro. Beira-Mar. Memórias 4. 2ª edição. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 193.)
Em síntese, com base no texto de Pedro Nava e na obra de Mário de Andrade, depreendese que Macunaíma caracteriza-se por ser uma narrativa: