O menosprezo pelo clero que como uma corrente paralela permeia toda a cultura medieval ao lado da elevada veneração pela posição sacerdotal, em parte pode ser explicado como uma reação ao comportamento mundano do alto clero e à considerável perda de status do baixo clero, ou então como resultado dos velhos instintos pagãos. A alma popular, apenas parcialmente convertida ao cristianismo, nunca perdeu por completo a aversão pelo homem que era proibido de lutar e obrigado a ser casto. A altivez cavalheiresca, baseada
na coragem e no amor, assim como a rude mente do povo, afastavam de si o ideal espiritualizado. A degeneração dos próprios religiosos fazia o resto. E assim, durante séculos as camadas sociais altas e baixas se deleitaram com a figura do monge indecente e do padreco gordo e glutão.
(Johan Huizinga. O Outono da Idade Média)
O texto aborda um dos vícios que afetavam os membros do clero católico na Idade Média.
O comportamento mundano e a vida indecente eram consideradas como: