O meu amigo era tão
de tal modo extraordinário,
cabia numa só carta,
esperava-me na esquina,
e já um poste depois
ia descendo o Amazonas,
tinha coletes de música,
entre cantares de amigo
pairava na renda fina
dos Sete Saltos,
na serrania mineira,
no mangue, no seringal,
nos mais diversos brasis,
e para além dos brasis,
nas regiões inventadas,
países a que aspiramos,
fantásticos,
mas certos, inelutáveis,
terra de João invencível,
a rosa do povo aberta…
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE – A rosa do povo
O fragmento transcrito pertence ao penúltimo poema do livro A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1945. Trata-se de um canto fúnebre, no qual Drummond reverencia a figura do amigo, recém-falecido, que, nas muitas e longas cartas que enviara ao poeta, não só lhe dera lições de poesia, mas, também, insuflara nele o amor pelas coisas brasileiras.
Assinale a alternativa que apresenta o nome desse amigo.