[...] o que Goldmann propõe, em última análise é uma hipótese explicativa do romance moderno, na sua relação com a totalidade social. Nessa perspectiva, poderíamos distribuir o romance brasileiro moderno, de 1930 para cá, em, pelo menos, quatro tendências, segundo o grau crescente de tensão entre o “herói” e seu mundo:
1. romances de tensão mínima. Há conflito, mas este se configura em termos de oposição verbal, sentimental quando muito: as personagens não se destacam visceralmente da estrutura e das paisagens que as condicionam [...].
2. romances de tensão crítica. O herói opõe-se e resiste agonicamente às pressões da natureza e do meio social, formule ou não em ideologias explícitas o seu mal-estar permanente [...].
3. romances de tensão interiorizada. O herói não se dispõe a enfrentar a antinomia eu/mundo pela ação: evade-se, subjetivando o conflito [...].
4. romances de tensão transfigurada. O herói procura ultrapassar o conflito que o constitui existencialmente pela transmutação mítica ou metafísica da realidade.
BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 2015, p. 470. Adaptado.
Aplique essa hipótese de leitura ao romance brasileiro Triste fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, e ao romance português Coração, cabeça e estômago, de Camilo Castelo Branco, respectivamente. A partir disso, indique a resposta CORRETA que explicaria essa classificação.