O Realismo foi uma Escola Literária que, usando linguagem clara e objetiva, abordou temáticas relativas aos problemas sociais da época. Machado de Assis, grande destaque, escreveu Um Apólogo, em que narra o diálogo entre uma agulha e um novelo de linha que discutem sobre quem tem melhor utilidade.
Mais tarde, depois de a costureira ajudar a baronesa a vestir-se e colocar a agulha espetada no corpinho, a linha, em ares de mofo, perguntou-lhe: “ Ora agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.”
O autor intervém para colocar um alfinete, “de cabeça grande e não menor experiência”, a murmurar à pobre agulha: - “Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam fico.”
O autor finaliza dizendo que contara esta história a um professor de melancolia que, abanando a cabeça, disse: “Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!”
(Fábula, apólogo e parábola em Machado de Assis, Adelto Gonçalves, Unisanta / Unimonte - Santos- São Paulo-Texto adaptado)
Baseado(a) no resumo acima, avalie as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
I - À discussão entre a linha e a agulha nada mais é do que uma disputa de vaidades. Uma tentando mostrar sua superioridade perante a outra.
II - O autor ironiza os costumes humanos por meio de personagens inanimados. Através da história destas personagens, Machado de Assis critica a sociedade com seus ciúmes e invejas.
III - O autor cria perfis opostos de seres humanos: os que têm o trabalho como compromisso, e os que muito se sacrificam, e, portanto, gostam de ser bem gratificados pelo que fazem.
IV - Esse conto mostra algumas falhas do caráter humano.