O romance Nove Noites (2002), de Bernardo Carvalho, apresenta um narrador em primeira pessoa que é uma espécie de investigador – o seu objetivo inicial é o de desvendar o mistério em torno da morte do antropólogo Buell Quain. Em determinado momento, em relação à leitura, o narrador revela: “Cada um lê os poemas como pode e neles entende o que quer, aplica o sentido dos versos a sua própria experiência acumulada até o momento em que os lê”. A visão do narrador-personagem relativa ao ato de ler assemelha-se à própria investigação por ele empreendida. No romance, essa busca