O Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, reconstitui poeticamente o episódio da Inconfidência Mineira. Escrito na forma de romance, estrutura poética de tradição ibérica em redondilha, extrai de um fato situado no tempo e no espaço valores significativos na consciência de um povo: os ideais de liberdade, os heróis, os traidores entre outros. Relacione as estrofes retiradas do livro com os temas nelas abordados considerando as afirmações:
I. Quem é culpado e inocente? Na mesma cova do tempo cai o castigo e o perdão. Morre a tinta das sentenças e o sangue dos enforcados... - liras, espadas e cruzes pura cinza agora são. Na mesma cova, as palavras, o secreto pensamento, as coroas e os machados, mentira e verdade estão. (Fala Inicial, p. 13)
II. Atrás de portas fechadas, à luz de velas acesas, brilham fardas e casacas, junto com batinas pretas. E há finas mãos pensativas, entre galões, sedas, rendas, e há grossas mãos vigorosas, de unhas fortes, duras veias, e há mãos de púlpito e altares, de Evangelhos, cruzes, bênçãos. Uns são reinóis, uns, mazombos; e pensam de mil maneiras; mas citam Vergílio e Horácio e refletem, e argumentam, falam de minas e impostos, de lavras e de fazendas, de ministros e rainhas e das colônias inglesas. (R24, p. 80)
III. Escrevestes cartas anônimas, apontastes vossos amigos, irmãos, compadres, pais e filhos... Queimastes papéis, enterrastes o ouro sonegado, fugistes para longe, com falsos nomes, e a vossa glória, nesta vida, foi só morrerdes escondidos podres de pavor e remorsos! (R47, p. 138)
IV. Mil bateias vão rodando sobre córregos escuros; a terra vai sendo aberta por intermináveis sulcos; infinitas galerias penetram morros profundos. (R2, p. 22)
MEIRELES, Cecília. Obra Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar S/A, 1977. Disponível em: https://docero.com.br/doc/xnvcnvn
( ) Apresenta o planejamento clandestino da Inconfidência, bem como os diferentes setores sócio-políticos dos envolvidos e faz alusão ao contexto de circulação das ideias iluministas.
( ) Os versos sobrepõem, por metonímia, o ato da extração do ouro, colocando em segundo plano quem o pratica.
( ) Ataca os fracos de caráter, referindo-se a Joaquim Silvério dos Reis, delator da insurreição que estava sendo preparada.
( ) O eu-lírico evoca Tiradentes na forca, questionando a causa do martírio e os envolvidos nos eventos que levaram à sua morte.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA na relação entre os excertos e as afirmações que sintetizam o conteúdo das estrofes, de cima para baixo: